A INTERFACE ENTRE ENFERMAGEM E SAÚDE PLANETÁRIA: IMPLICAÇÕES DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NO CUIDADO E NA PRÁTICA PROFISSIONAL
As mudanças climáticas e a degradação ambiental configuram-se como importantes determinantes da saúde global, impactando diretamente os sistemas de cuidado e ampliando desigualdades em saúde. Nesse contexto, a saúde planetária emerge como um campo interdisciplinar que busca compreender e enfrentar os efeitos das alterações ambientais sobre a saúde humana. Este estudo tem como objetivo analisar a interface entre a enfermagem e a saúde planetária, discutindo as implicações das mudanças climáticas no cuidado e na prática profissional. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, com busca realizada nas bases SciELO, PubMed/MEDLINE, Biblioteca Virtual em Saúde e Google Acadêmico, além de documentos institucionais, no período de 2020 a 2025. Os resultados evidenciam que as mudanças climáticas influenciam o perfil epidemiológico das populações, destacando-se o aumento de doenças relacionadas ao calor, arboviroses, insegurança alimentar e agravos à saúde mental. A enfermagem, especialmente na Atenção Primária à Saúde, apresenta potencial estratégico na promoção da saúde, educação em saúde, vigilância de agravos e articulação comunitária. No entanto, persistem desafios relacionados à formação profissional, à sobrecarga assistencial e à limitada incorporação da temática nos currículos e nas práticas em saúde. Conclui-se que a integração entre enfermagem e saúde planetária é fundamental para a construção de sistemas de saúde mais resilientes, equitativos e sustentáveis, sendo necessário fortalecer a formação, a produção científica e a atuação crítica da enfermagem frente às demandas contemporâneas. PALAVRAS-CHAVE: Enfermagem; Saúde Planetária; Mudanças Climáticas; Saúde Ambiental; Atenção Primária à Saúde
A FUNÇÃO PATERNA NARCÍSICA E O TRANSTORNO BIPOLAR TIPO II: UMA LEITURA TEÓRICO-CLÍNICA
O Transtorno Bipolar Tipo II (TB II) é tradicionalmente compreendido a partir de uma etiologia multifatorial, com ênfase em vulnerabilidades genéticas e neurobiológicas. No entanto, abordagens exclusivamente biomédicas tendem a limitar a compreensão da complexidade subjetiva envolvida na experiência do transtorno. Este artigo tem como objetivo desenvolver uma leitura teórico-clínica do TB II a partir da falha da função paterna atravessada por traços narcísicos, compreendendo a oscilação afetiva como tentativa de autorregulação psíquica diante do risco de apagamento subjetivo. Trata-se de um ensaio teórico-clínico fundamentado na articulação entre a psiquiatria contemporânea e diferentes tradições psicanalíticas, incluindo Freud, Winnicott, Kohut, Lacan, Green, Bion, Bollas, Klein e autores da psicopatologia do desenvolvimento. Argumenta-se que, em determinadas configurações clínicas, a depressão pode ser compreendida como colapso defensivo — marcado pela falência da continência, da simbolização e da expressão do self verdadeiro — enquanto a hipomania opera como movimento defensivo de restauração narcísica e tentativa provisória de coesão subjetiva. Sustenta-se, assim, que o TB II não pode ser reduzido à lógica da desregulação neuroquímica, mas também carrega as marcas de uma ausência estrutural, vivida mesmo na presença física do pai, quando sua função simbólica falha em reconhecer e inscrever o sujeito no campo do desejo. Conclui-se que essa leitura amplia a compreensão clínica do TB II e aponta para a necessidade de um cuidado em saúde mental que articule tratamento medicamentoso e escuta clínica sensível à história subjetiva. PALAVRAS-CHAVE: Transtorno Bipolar Tipo II; Função paterna; Narcisismo; Oscilação afetiva; Psicanálise.